Simbolo Jornalismo

Jornalismo Esportivo

Entrevista Completa com Klaus Werner Lautenschlaeger

Introdução

Durante a Feira de Profissões da escola, conheci Klaus Werner Lautenschlaeger, atualmente com 39 anos, que representava a USF. Ele me perguntou se eu já tinha alguma carreira em mente, e contei que queria seguir jornalismo. Durante a conversa, descobri que ele atuava como jornalista esportivo, o que despertou meu interesse em conhecer mais da profissão e realizar esta entrevista. Com isso em mente, elaborei uma série de perguntas, e estas foram suas respostas:

Entrevista

Por que escolheu essa profissão?
Desde criança, sempre gostei muito de futebol. No início dos anos 90, jogava bola com os amigos, brincava de futebol de botão, comecei a jogar videogame, muitas vezes com jogos de futebol ou outros esportes. Por ser filho único, às vezes brincava sozinho em casa, e sempre ia narrando minhas próprias brincadeiras que envolviam esportes. Mas sempre fui muito tímido. Até que, ainda muito cedo, aos 13 anos, um amigo do meu pai, que era comentarista de uma rádio da minha cidade, disse que precisavam de alguém para fazer o plantão esportivo nas transmissões de jogos de futebol, e via em mim algum talento e bastante interesse pelo assunto. Meu pai dizia que eu era muito tímido (e era mesmo) e que não tinha certeza que seria uma boa ideia. Mesmo assim tentamos, deu super certo logo na minha estreia, e vi ali uma paixão para meu futuro.

Que pessoas ou situações te influenciaram a seguir com o jornalismo esportivo?
Acho que essa pergunta está muito envolvida com a anterior. Foi a situação que descrevi, da oportunidade que o Antônio Carlos Ferreira, popularmente conhecido como Tuca, me deu no ano 2000, quando eu tinha apenas 13 anos, que mudou minha vida: me inseri no rádio, desenvolvi minha comunicação, meu vocabulário, minha forma de conversar com as pessoas, e moldou minha vida profissional.

Que escola você teve de cursar para chegar a essa profissão?
Quando iniciei no rádio, em abril de 2000, eu ainda estava concluindo o Ensino Fundamental. Na época, era um hobby, fazia apenas aos sábados ou domingos, sem vínculo de trabalho. Mas fiz todo o Ensino Médio já sabendo que queria cursar Jornalismo no Vestibular. Prestei algumas provas para entrar em algumas faculdades, e acabei optando pela UNIMEP, de Piracicaba. Na época, era superior inclusive a uma série de públicas.

Onde existem escolas para esses cursos e quais as matérias do curso?
No início dos anos 2000, existiam muitas faculdades que ofereciam a graduação em Jornalismo, ou mesmo em Comunicação Social. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a exigência de diploma para o livre exercício da profissão, o que na minha opinião foi o estopim para a queda de qualidade do nosso jornalismo e da nossa imprensa. Isso fez com que várias faculdades deixassem de ofertar o curso, o que é uma pena, porque o mercado de trabalho ainda valoriza demais o diploma e a formação na área. Isso influencia diretamente na qualidade dos profissionais. Matérias como redação e expressão oral, jornalismo fotográfico, impresso, digital, televisivo e de rádio, além outras disciplinas como ética, sociologia, economia, psicologia social, estão presentes na formação do futuro profissional de jornalismo.

Quais as condições de ingresso nessas escolas?
Para ingressar nas universidades de jornalismo atualmente, o procedimento é o mesmo que o adotado para outros cursos: vestibular da própria universidade ou ENEM.

Fez estágio durante o curso? O que teve de fazer para conseguir o estágio?
Sim, em rádios e em um colégio particular. Na rádio, acabou sendo facilitado porque ingressei antes mesmo da faculdade, então foi um processo natural. No colégio, foi através do CIEE, uma organização presente nas universidades, que oferece oportunidades de estágio para universitários. Houve um período em que fazia estágio de manhã na rádio Jovem Pan de Rio Claro/SP (minha cidade natal) e à tarde no Colégio. À noite, tinha as aulas na faculdade.

Como conseguiu chegar ao emprego atual?
Atualmente, não trabalho na imprensa, apesar de ter planos de voltar. Hoje sou representante de parcerias estratégicas da USF - Universidade São Francisco. Há dez anos trabalho em universidades, e acredito fortemente que meu estágio no colégio me influenciou a gostar tanto de trabalhar também com educação. É importante frisar que minha formação como jornalista me ajuda muito no trabalho atual, porque é diretamente ligado à comunicação.

Que funções exerce atualmente no emprego?
Hoje, faço relações institucionais com empresas, escolas e órgãos públicos com o objetivo de transformar vidas através da educação e do ensino superior, promovendo ações, eventos e interações que levem às pessoas a se desenvolverem no conhecimento e no aspecto profissional.

Qual é a faixa salarial que um profissional desta área pode obter?
Falando especificamente da Comunicação e do Jornalismo, a faixa salarial é muito ampla. Há profissionais iniciantes na imprensa por exemplo, que possuem salários iniciais também. Porém, profissionais já mais experientes e com uma progressão de carreira bem construída, consegue chegar a salários muito altos. O mercado é competitivo, mas tudo depende da sua gestão de carreira.

Atualmente existe muita procura dessa profissão? Que vantagens e desvantagens você vê na sua profissão?
Acredito que a procura ainda seja muito grande sim, apesar da queda de ingresso para cursos de comunicação e jornalismo nas universidades, o que como já disse anteriormente, acho um erro. Para quem é apaixonado por jornalismo, as vantagens são muitas, principalmente a de fazer o que ama. Um trabalho quando feito com amor, deixa de ser um trabalho. Conhecer pessoas novas, aprender sobre a sociedade, manter o público bem informado, cooperar com informações de utilidade pública, entre tantas outras vantagens. Desvantagem talvez seja, dependendo de onde você trabalhar, ter que abrir mão de tempo livre em função do trabalho. Mas tudo isso é manejável.

Nessa profissão, em que lugares e tipos de empresas pode-se trabalhar?
Qualquer média ou grande empresa hoje, de qualquer setor, possui um departamento de comunicação e marketing. Se não possuir um próprio, terceiriza os serviços com empresas especializadas em comunicação. Além disso, há o trabalho na imprensa, seja em redes de televisão, rádio, jornais, revistas e no on-line. Você também pode abrir seu próprio negócio. O desenvolvimento da tecnologia e da internet possibilidade que qualquer pessoa possa trabalhar com jornalismo hoje por meio de canais no Youtube, por exemplo, bem como outras mídias sociais.

Quais são as qualidades exigidas de quem deseja seguir tal profissão?
Ser comunicativo, ter boa expressão escrita e oral, ter sede por informação, gostar de ler, escrever e falar, além é claro de ser determinado e apaixonado pelo que faz (ajuda muito!).

Descreva-me um dia de seu trabalho: horários, exigências e tudo o mais.
Hoje, faço minha própria agenda de compromissos, mediante agendamento com nossos clientes. Preciso sempre estar pronto a me comunicar com pessoas, ter escuta ativa (ser empático) e estar bem preparado quanto ao que ofereço, ou seja, conhecer os produtos e serviços com os quais trabalho. Quando eu trabalhava no rádio e na TV, cumpria os horários dos programas que participava ou apresentava, chegando bem cedo para realizar a produção, a pauta e supervisionar a equipe técnica para que tudo saísse conforme o planejado. Há também as reportagens que eu realizada, externamente, que exigiam agendamento prévio com os entrevistados, organização de um roteiro de perguntas, conhecimento sobre o assunto em questão. Quando a cobertura era de um fato urgente, muito da cobertura era por instinto, algo muito importante para um jornalista.

O que recomendaria fazer a quem desejasse seguir essa profissão?
Primeiro, gostar do que faz. Gostar de se comunicar, de informar e ser apaixonado por pelo menos dois itens dos três a seguir, e no mínimo gostar muito do outro: ler, escrever e falar. Por exemplo, sou apaixonado por escrever e falar, e gosto muito de ler. Isso é importantíssimo.

Quantos anos são necessários para se concluir esse curso e conseguir uma boa colocação profissional?
A formação na graduação é de quatro anos, mas é preciso se atualizar constantemente, como em toda profissão.

Quais são as etapas por que se tem de passar para ser um profissional como você?
É preciso ter um plano. Projetar o que se quer, traçar possíveis ações para que você consiga atingir seus objetivos, e ser persistente, além de estudar bastante e aprender coisas novas todos os dias.

Conclusão

Ao entrevistar Klaus percebi que de fato quero seguir na área do jornalismo esportivo. Esta entrevista me permitiu conhecer um pouco mais sobre a profissão que desejo para meu futuro, me mostrando as diversas vantagens da profissão, como o contato com diferentes pessoas, grupos sociais e realidades, e a ampla quantidade de opções para exercer esta profissão. Essas vantagens se sobressaíram em relação a desvantagem do tempo, até porque como o próprio Klaus disse: “Para quem é apaixonado por jornalismo, as vantagens são muitas, principalmente a de fazer o que ama. Um trabalho quando feito com amor, deixa de ser um trabalho.” – Klaus E de uma coisa eu tenho certeza: amo o jornalismo e amo o esporte. Amo a ideia de transmitir às pessoas o que é o esporte e tudo o que vem por trás dele: a história de cada atleta e pessoas que faz com que tudo aconteça. Quero levar a o público toda a paixão que carrego comigo, através de cada entrevista, coletiva, cobertura e até mesmo comemoração, compartilhando a emoção que só o esporte nos permite viver.